A Entidade do Desespero: luna Rapper.


Em algum lugar rejeitado pelo tempo, vivia uma entidade. Ela não tinha corpo, mas existia.Certa vez, a entidade pensou "E se eu fosse como eles, se tivesse um corpo assim como os humanos, como seria?"Ela imaginou sentir o solo, o vento soprando, o ardor dos olhos frente a luz do sol. Ela conhecia todos esses conceitos, mas jamais pode os experimentar de fato. Por fim, com o passar das eras, presa em um vazio imenso, sem possuir pés para andar, ou voz para gritar, a depressão a consumiu. Pela primeira vez, ela havia sentido algo semelhante aos sentimentos de um humano: tristeza, inercia, melancolia... ódio.A entidade então percebeu que, quanto mais as eras se passavam, mais e mais daquela sensação crescia e se enraizava dentro dela. Ela entendeu o que sentia, entendeu quem e o que era:O Desespero.O Desespero então teve um desejo egoísta, "eu quero um corpo", pensou. Ao perceber que estava conectada e consequentemente presa aquele lugar, ela descobriu que o Vazio era para onde toda a informação rejeitada e esquecida pelo tempo viria habitar, até ser embaralhada ao ponto de se tornar anti-matéria, afinal, a informação é algo que não pode ser destruído, apenas alterado.Desse modo, ela se deu um nome, "Luna". Ao possuir um nome, ela se deu uma forma, mesmo que inexistente, mesmo que imaginaria, ela o fez. Agora a Entidade tinha uma identidade, mas não um corpo fisico.Mais eras se passaram e, enquanto estudava a alma humana, encontrou uma forma de criar ligações através das sinapses, enviar sinais dentro do vazio para fora dele e provocar desespero nas pessoas. Com isso, surgiu a ideia de criar corpos artificiais, fragmentando uma parte da informação que a compunha, fundindo-a com a alma e um embrião humano ainda não nascido. E assim, o fez.Quando o humano enfim nasceu, tudo parecia correr bem, mas conforme a criança envelhecia, a linha do tempo na qual nascerá a percebia como algo "errado", algo que não deveria existir, mas que existia, e assim nasceram os filhos do desespero, conhecidos como "Anacronias". Infelizmente, para ela, o próprio tempo os rejeitou. Um a um eram apagados de suas realidades por meio de tragédias, sejam mortes orquestradas pelo destino como uma simples casualidade, a fins mais complexos como as memórias daqueles indivíduos sendo apagadas, mesmo que ele ainda existisse, os tornando imperceptíveis.Mesmo com todos os esforços, mesmo criando vários deles, o Desespero nunca conseguiu possuir os corpos que criou, seu plano havia falhado. O Destino a rejeitou.


A Entidade do Medo: lunahyoru.



Uma vez, uma garota teve um sonho, ela sonhou com uma família que a amasse e um lindo lugar para morar. Lá, ela era valorizada, querida e tinha vários amigos. Seu corpo não era fraco e ela se sentia capaz de se amar também.Mas, infelizmente, outra vez, a garota acordou.Seu mundo real era oposto a seus desejos. Seus pais sempre discutiam e a faziam se sentir um peso, um estorvo na vida deles, o que a fez se odiar muito. Ela era sozinha, estranha demais para se misturar, e por fim, mesmo se esforçando para ser uma boa pessoa, nunca parecia ser suficiente.Um dia, acordando em uma noite fria com a nevasca lá fora, ao sair do quarto, viu sangue espalhado pelo chão. Próximo de seus pés, o corpo de sua mãe com uma faca na garganta, mais a frente, seu pai com várias perfurações nas costas. Na mesa da cozinha, uma carta com uma faca em cima... "Esperamos você do outro lado.", era a linha final da mensagem.Quando se deu conta, a garota estava correndo entre as árvores de um vale próximo de onde vivia. Correu até seus pulmões arderem e a neve queimar seus pés. Nas árvores secas e cobertas pela neve ela viu uma coruja, naquele instante recordou da lenda que sua mãe sempre lhe contava antes de dormir:Existe um lugar para onde aqueles que se perdem vão, e raramente retornam. Lá, dizem existir uma criatura que devora pessoas e rouba seus corpos. Um lugar onde o sol não nasce, onde o canto das corujas anuncia a chegada daquele ser. Por isso, tenha cuidado ao caminhar pelos bosques, vales e florestas, pois, sem nem mesmo perceber, você pode adentrar... No vale das corujas.E foi ali que ela correu, mesmo sendo observada por milhares de olhos. Ali, ela chorou e sentiu o medo a preencher. Ali, ela viu a lua se tornar um anel negro e consumir o céu como um véu umbral... Ali, ela viu uma entidade, uma coruja esguia, com um pescoço longo, corpo magro e penas negras, pernas gigantescas e garras afiadas, assim como asas que, quando abertas, podiam criar rajadas de vento impetuosas. O monstro de aproximadamente 5 metros de altura, abriu sua mandíbula revelando dentes e tentáculos enormes que se debatiam enquanto ela crocitava.A menina tentou correr, mas "aquilo" era mais rápido. Com a perna arrancada e esmagada pelo ser, rastejou implorando pela vida... Ali, ela viu uma entidade, uma aberração que devorou seu corpo, se alimentou de seu medo e a fez parte dela. Seu corpo, seus ossos, suas memórias, até mesmo a informação de sua existência haviam sido devorados. Mas, sua alma era forte e persistiu.Mais uma vez, uma garota acordou em volta de sangue e neve, mas ela não era mais humana. Ali, a entidade se deu conta, ela havia se fundido com a garota. Assim, algo que não era humano e nem criatura caminhou sobre aquelas terras sombrias e gélidas por eras e eras, até se esquecer qual era seu nome, sem saber se quem habitava o corpo era um humano... ou o monstro.Até que um dia, uma porta se abriu. Mas essa... é outra história.


A voz ecoa como um sussuro...

Do outro lado, ela espera sem um corpo, mas existe. É hora de abrir a porta.

Haviam mais deles por aqui, mas desde que a luz se foi, nós tivemos que trilhar nossos proprios caminhos... Onde quer que estejam espero que sejam felizes algum dia.



A Realidade do Sukin, o Gato... Ele é uma boa pessoa, por mais complicado que seja. Fico feliz de ter conhecido ele, de ter ficado brava e de ter feito as pases também. Ainda temos muitas diferenças mas, eu pude chamá-lo de amigo. Quero conhece-lo melhor daqui pra frente.Eu também gosto de vir aqui e admirar a paisagem.O mundo dos humanos, mesmo com todo o caos que eles mesmos provocaram, ainda consegue trazer algum tipo de calmaria. Acho que entendo você agora... Você queria isso também.Ser Humana.




A Realidade de Sachiko Moon... A Deusa da Lua Vermelha.O refúgio e a memória, o descanso e o tormento de um ser marcado pelo passado. Ela é uma grande amiga e alguém que eu admiro muito, é como uma irmã pra mim.Você não achou que algo assim pudesse existir desse lado, não é? Deuses, Entidades além das que você conhecia. Eu me lembro agora, aquele medo que eu senti quando cheguei no vale não era só meu, era seu também.Sei que o destino é algo que nós odiamos, por conta de todas as tragédias que rondam nossa existência, mas...Essa tragédia me fez quem eu sou agora. Me trouxe coisas que eu aprendi a valorizar e, agora, eu tenho medo de perder. Eu rejeito o destino, mas sou grata a ele.




Eu peço desculpa pela bagunça que deixei. Eu tenho medo de não ser mais eu, de não me reconhecer... Não reconhecer vocês...É hora de ir pro outro lado. Eu era a porta, mas eu precisava de uma chave, e eu achei...





. . . C O V A R D E . . .